Almanaque do Futuro 245
14 de fevereiro de 2025
Salve, futuristas! O mundo nunca para de se transformar. Mas em meio a tantos ciclos, é na quietude do momento presente que as maiores mudanças acontecem. Por isso hoje, te convidamos para apreciar com toda calma (e um bom cafezinho) a edição #245 do Almanaque do Futuro. Let’s go?
Excelente leitura! 🧡
Fake news! Estudo da BBC expõe distorções de notícias em textos gerados por IA
Se você ainda ‘’dá um Google’’ com frequência para pesquisar assuntos diversos, já reparou que agora, em algumas pesquisas, existe um lugar especial para o conteúdo criado para textos criado por IA no site, certo? Um lugar bastante especial, aliás, no topo da página, antes de links referentes a sua pesquisa.
Esses textos são criados pelo Gemini, ferramenta de IA do Google, e são um resumo sobre o assunto da sua pesquisa, criado com base no banco de dados em que o Gemini foi treinado. Infelizmente isso não é sinônimo de informação, já que é perceptível que existem incongruências no texto quando você já conhece o assunto.
Descobrindo o óbvio
A BBC resolveu testar a capacidade de algumas dessas ferramentas de IA mais famosas como ChatGPT, Copilot, Gemini e Perplexity. Foram selecionados 100 artigos escritos por seus jornalistas, para serem resumidos pelas IA’s. Após as revisões, descobriu-se que no total 51% dos resumos continham informações distorcidas, números e datas incorretos.
O Gemini parece ter sido o que menos estudou para a prova surpresa, já que 46% dos seus resumos continham informações incorretas, tiradas das suas próprias alucinações. E com a visibilidade que seus textos têm no site do Google, é um pouco preocupante imaginar como o ‘’se tá na internet é verdade’’ pode se tornar um problema ainda maior agora.
Para quem ainda não viu, esse conteúdo nem sempre aparece nas pesquisas, mas quando aparece ele fica logo abaixo das pesquisas e é indicado pelo logo do Gemini (uma estrela de quatro pontas) e a frase ‘’Visão geral criada por IA’’. Você que é macaco velho da internet pode já estar vacinado, mas é sempre bom alertar aqueles que não são tão conectados, que as IA’s são um avanço incrível para o nosso tempo, mas é necessário um pouco de atenção quando o assunto é absorver informações criadas por ela.
Não bombou! O fracasso do AI Pin na tentativa de substituir smartphones
Muito se fala sobre o enorme sucesso das IA’s, que estão dominando o mundo e trazendo facilidades para a rotina dos humanos. Mas como nem tudo são flores, hoje vamos explorar o outro lado da moeda, mais especificamente a AI Pin, criada pela Humane, uma startup do Vale do Silício.
A tecnologia foi criada com o intuito de substituir o smartphone por um pequeno dispositivo preso na roupa, que responde perguntas, envia mensagens e projeta informações diretamente na palma da sua mão. Parece até coisa de filme futurista, né?
Essa foi a promessa da Humane, que conquistou em peso o coração dos investidores no Vale do Silício. Com um investimento de US$ 240 milhões, a ideia parecia revolucionária, mas o tiro saiu pela culatra.
A IA Pin foi projetada para ser um assistente virtual com IA, permitindo comando de voz, projeção de texto e captura de fotos, sem precisar de telas ou digitação. A ideia era libertar as pessoas dos smartphones, tornando a interação com a tecnologia mais natural e discreta. Um sonho, realmente!
Prometeu muito e não entregou nada
A premissa era empolgante, mas a execução deixou a desejar. O dispositivo sofria com superaquecimento, um grande problema para um gadget que fica grudado no corpo. O alto consumo de energia do laser de projeção esgotava a bateria rápido demais. A solução? Um estojo carregador que, ironicamente, também esquentava tanto que chegou a apresentar risco de incêndio.
Diante de tudo isso, o Humane é um lembrete de que nem toda grande promessa tecnológica se traduz em sucesso ou produto funcional. Enquanto a busca pelo futuro continua, é sempre bom lembrar que, na corrida pela inovação, qualidade e segurança não podem ficar para trás. Afinal, de que adianta um assistente que coloca em risco sua saúde e vida?
Confira o que a equipe Flowww anda assistindo
Ghost in the Shell (Filme)
Um filme que já vai completar 30 anos e ainda hoje podemos dizer que envelheceu bem. Viaje para 2029 e descubra como é combater o crime em um mundo onde próteses cibernéticas são partes comuns do corpo humano e o compartilhamento de informações é altamente acelerado por ciber-cérebros.
Assista
Breaking Bad (Série)
Assistiu a primeira, a segunda, talvez até a terceira temporada, mas desistiu no meio do caminho? Meu amigo, você chegou muito perto do ouro. Que tal dar mais uma chance? Sabemos que o início é lento mas o final dessa longa história vale muito a pena. Isso nós garantimos!
Assista
Era questão de tempo! Indústrias de cinema internacionais passam a aceitar uso de IA em produções
Em Hollywood, a tolerância para produções cinematográficas que utilizam qualquer tipo de tecnologia de IA é zero. A ameaça que essa tecnologia representa para muitos profissionais da área levou grandes nomes da indústria americana a protestar contra seu uso, porém, as indústrias de cinema não-americanas parecem não se importar tanto com isso.
Será que androides sonham com empregos no cinema?
Enquanto algumas distribuidoras americanas fazem questão de estampar um selo de “sem IA” em seus filmes, ou créditos de “feito por humanos” como na animação indicada ao Oscar, Memórias de um Caracol, produções de outros países não se importam em achar aplicações úteis para a IA em seus filmes.
Por exemplo, o diretor alemão, Tom Tykwer, está utilizando os serviços da Flawless, uma empresa de IA sediada em Los Angeles, especializada em dublagem em língua estrangeira. O filme em questão chama-se Das Licht (A Luz) e a grande sacada aqui é que a IA de “dublagem imersiva” usou as vozes originais dos atores alemães para dublar o filme em inglês. Uma aplicação interessante e que pode facilitar muito a distribuição de filmes estrangeiros para o mercado.
Um filme argentino de 2023, Juego de Brujas, do diretor Fabián Forte usou uma técnica semelhante de dublagem enquanto o diretor polonês Bezaleel foi ainda mais longe. Sua cinebiografia política sobre ninguém menos que o ex-KGB Vladimir Putin, usou IA para colocar o rosto do político russo no corpo do ator Slawomir Sobala. Ficou perfeito? Não, mas foi ousado e segundo a empresa responsável pela venda do filme, tem sido um sucesso.
Ainda não é o cenário ideal para a IA ganhar seu espaço no cinema, mas imagine as possibilidades quando essas ferramentas caírem nas mãos de criadores com potencial criativo ilimitado mas que não tem acesso a grandes estúdios para tirar suas ideias do papel.
Copia não! Artista cria primeira imagem gerada por IA a receber direitos autorais
Pode ser que algum dia a internet tenha sido uma terra sem lei, onde as fronteiras eram maleáveis e as regras, quase inexistentes. Mas a cada dia que passa, surgem novas formas de garantir a segurança dos usuários.
E, acredite, isso está ficando mais sério do que nunca, até mesmo para ela, a inteligência artificial, que pensamos ser inalcançável (de certa maneira) pela ordem mundana.
O que acontece é que a primeira obra de arte inteiramente gerada por IA acaba de receber proteção de direitos autorais nos Estados Unidos. Isso mesmo! A imagem “A Single Piece of American Cheese”, criada por Kent Keirsey, CEO da Invoke, foi aprovada pelo U.S. Copyright Office depois de demonstrar que havia intervenção da criatividade humana suficiente na sua composição.
Oficialmente à prova de cópias
Inicialmente, o Copyright Office rejeitou o pedido, mas mudou de ideia ao analisar como os diferentes elementos gerados por IA foram organizados para criar uma “imagem única e unificada”. Keirsey, o responsável pelo projeto, fez cerca de 35 edições na imagem e documentou todas as decisões criativas, além de apresentar um vídeo do processo completo.
Apesar de protegida, os elementos individuais gerados por IA não têm proteção alguma. O que recebe a segurança pelos direitos é a seleção, coordenação e o arranjo dos componentes. Ou seja, o que está protegido no final das contas é a obra completa, como algo unificado.
Tudo isso nos mostra que, mesmo com a IA revolucionando a criatividade, o toque humano ainda é indispensável para dar sentido ao que é criado. Não basta só apertar um botão, é preciso cuidado, visão e intenção em cada detalhe.
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Pensamentos de pensadores
para você pensar.
“Não controlamos a força das ondas, mas sim a qualidade do nosso navio.” – Epicteto
Agora que você deu uma pausa para refletir, esperamos que o Almanaque do Futuro tenha aberto novas portas para suas perspectivas do que está por vir. Agradecemos por dedicar um tempo do seu dia para nos acompanhar. Até a próxima, e nos vemos no futuro!