O jogo começou. E você, está no controle?

Tempo de Leitura: 11 minutos

Almanaque do Futuro 243

31 de janeiro de 2025

Tudo bem por aí, almanáticos? Hoje, conectamos nossos neurônios à rede para explorar um dilema inquietante: os games ainda são uma forma de entretenimento ou já se tornaram um sistema de controle? Com a ascensão das inteligências artificiais como narradoras absolutas da realidade, será que estamos apenas jogando ou sendo programados? Os gráficos são ultrarrealistas, mas e a realidade… ainda é nossa?

Ótima leitura! 🤓


Biblioteca sem censura! Jornalistas usam Minecraft para compartilhar notícias do mundo todo

Já ouviu falar do Reporters Without Borders? Uma organização criada por jornalistas em 1985 com o intuito de defender o direito de todo ser humano de ter acesso a informações livres e confiáveis, segundo eles próprios. 


Durante sua história, já atuaram ajudando a libertar ou evacuar jornalistas presos, desbloqueando sites censurados e também foram efetivamente ativos nas tentativas de boicote às Olimpíadas de 2008 na China, como protesto contra a repressão do governo chinês ao Tibete.

E desde 2020 eles usam uma ferramenta curiosa em seus esforços contra a censura no jornalismo mundial, um mapa criado no Minecraft!

Faça silêncio e drible a censura

A RSF (do francês Reporters sans frontiers) contratou a BlockWorks, empresa especializada em criação de mapas de Minecraft, para criar uma imensa biblioteca virtual. Mas não é uma biblioteca qualquer, lá você pode encontrar artigos e livros censurados , escritos por jornalistas ou escritores banidos em seus países. Com conteúdos proibidos em países como México, Rússia, Vietnã, Arábia Saudita, entre outros, incluindo o Brasil.

A escolha para criar esse ambiente dentro de um jogo é o fato de que jogos são mais complicados de monitorar e censurar, já que nem sempre se enquadram nas mesmas regulamentações de conteúdo que engloba mídias e meios de comunicação. Além do fato de que o Minecraft é um jogo acessível em muitos países onde a censura é rigorosamente ativa.

Os conteúdos na biblioteca são categorizados por países e disponibilizados em inglês e nas línguas nativas de cada autor. Como foi criado no início da pandemia, lá também existe uma sala totalmente dedicada a desinformações sobre a COVID-19.

Ficou curioso? Você pode acessar a biblioteca baixando o mapa no site oficial.


O Preço da Inteligência: DeepSeek Redefine o Custo da IA?

A DeepSeek, uma startup chinesa, acaba de desafiar um dos pilares mais sólidos da indústria de inteligência artificial: o custo do desenvolvimento. Enquanto empresas como OpenAI e Google investem centenas de milhões de dólares para criar modelos de ponta, a DeepSeek afirma ter treinado um modelo de linguagem comparável ao GPT-4 com apenas US$ 6 milhões.

Isso contrasta fortemente com a lógica predominante do setor, onde o custo para construir uma IA de última geração pode chegar a US$ 100 milhões, considerando não apenas o treinamento inicial, mas também estágios críticos como ajuste de instruções e aprendizado por reforço a partir do feedback humano. Esses processos exigem o envolvimento de anotadores humanos, que avaliam e refinam as respostas da IA, além da infraestrutura necessária para rodar esses treinamentos. A DeepSeek conseguiu contornar essas exigências com um modelo mais eficiente, reduzindo a necessidade de milhares de GPUs e otimizando o consumo de energia, o que levanta um questionamento crucial: será que os altíssimos custos das grandes IAs sempre foram inevitáveis, ou essa barreira pode ser quebrada?

O Preço da Inteligência: Nvidia Sente o Impacto da Revolução da DeepSeek

A notícia do avanço da DeepSeek não apenas impressionou o setor tecnológico, mas também gerou um impacto gigantesco no mercado financeiro. A Nvidia, maior fornecedora mundial de chips para IA, viu suas ações despencarem 17% em um único dia, uma queda histórica que apagou US$ 589 bilhões de seu valor de mercado. Isso aconteceu porque o modelo tradicional de IA, altamente dependente dos chips gráficos da Nvidia, pode estar ameaçado.

Hoje, uma parte significativa dos custos de desenvolvimento de IA vem da infraestrutura de hardware, principalmente dos treinamentos realizados em data centers equipados com milhares de GPUs da Nvidia. No entanto, se mais empresas conseguirem reduzir essa dependência, explorando métodos alternativos como os da DeepSeek, o domínio da Nvidia pode estar em risco. O modelo econômico da IA está sendo reescrito—e o que antes era um monopólio pode se tornar um setor mais descentralizado e acessível.

O sucesso da DeepSeek pode desencadear uma onda de mudanças no setor de IA. Se modelos de inteligência artificial puderem ser treinados com custos tão baixos, isso pode significar um acesso mais democrático à tecnologia, permitindo que startups e países emergentes entrem no jogo. No entanto, isso também levanta preocupações: será que essa redução de custos compromete a qualidade, segurança e transparência dos modelos?

O impacto na indústria de semicondutores será permanente ou as gigantes da tecnologia encontrarão formas de reverter esse cenário? O que parece certo é que estamos diante de um ponto de inflexão na evolução da inteligência artificial—e as próximas movimentações definirão quem liderará essa nova era.


Confira o que a equipe Flowww anda assistindo


  • Snowden (Filme)
    A história real de Edward Snowden, ex-administrador de sistemas da CIA e ex-contratado da NSA, que vazou informações altamente secretas sobre os métodos de espionagem norte-americanos em 2013. Revelando como os EUA são capazes de coletar dados de pessoas de todo o mundo, incluindo lideranças mundiais como a presidente do Brasil na época, Dilma Rousseff.
    Assista

  • Arcane (Série)
    Uma série que arranca suspiros dos fãs de League of Legends, mergulha na história de duas irmãs com destinos opostos. Em Piltover, uma busca justiça e em Zaun, a outra se perde no caos. Em meio a magia, tecnologia e escolhas difíceis, elas enfrentam um confronto entre o bem e o mal, em uma jornada cheia de emoção e reviravoltas.
    Assista

Level up da saúde mental! O poder terapêutico dos games

Por anos, videogames foram vistos com desconfiança, associados a vício, isolamento e até comportamento agressivo. Mas a ciência vem trazendo uma nova perspectiva, onde jogar pode ser um verdadeiro respiro para a mente. Estudos recentes indicam que determinados tipos de jogos mais “confortáveis” ajudam a reduzir o estresse, melhorar a qualidade de vida e até fortalecer conexões sociais.

Um pixel de paz em um mundo caótico

Durante a pandemia, por exemplo, milhões de pessoas encontraram nos games um refúgio contra a solidão e a ansiedade. E não é difícil entender o motivo, pois jogos que oferecem ambientes tranquilos e mecânicas leves proporcionam uma sensação de conforto e controle, essenciais para quem busca uma pausa na rotina agitada.

Ao contrário da crença de que games estimulam a violência, algumas pesquisas apontam que o efeito pode ser justamente o oposto. Um estudo recente mostrou que jogos focados em interações sociais e objetivos construtivos estimulam a empatia e o senso de comunidade.

Os benefícios não param por aí! Algumas abordagens terapêuticas já utilizam videogames no tratamento de ansiedade e TDAH, enquanto outros servem como ferramenta para explorar emoções complexas, como o luto. Mais do que entretenimento, os games podem ser aliados na busca por bem-estar e autoconhecimento.

O mundo pode ser caótico, mas algumas realidades virtuais oferecem um convite para desacelerar, respirar fundo e encontrar conforto. Então, da próxima vez que alguém disser que jogar é perda de tempo, talvez seja a hora de apertar “start” para um novo olhar sobre o assunto.


A volta dos Tamagotchis! Pets virtuais estão voltando turbinados pela IA

Lembra dos bons e velhos Tamagotchis? Aqueles bichinhos digitais que viviam pedindo comida, atenção e morriam no pior momento possível (geralmente depois de um descuido de 10 segundos).

Febre nos anos 90, os Tamagotchis tiveram seu grande ápice e marcaram a infância de muitos da geração X e millenials, mas logo sumiram, assim como outros fenômenos da época, como os skates de dedo, tazos e os bonecos do Power Rangers que viravam a cabeça.

Agora, quase 30 anos depois, e após uma longa série de relançamentos e rebrandings, o Tamagotchi está ganhando força novamente. Mas dessa vez, com uma ajudinha da famigerada Inteligência Artificial!

Companheiros virtuais, conexões reais

Recentemente, uma matéria da Forbes mostra que a Slay, empresa por trás do Pengu, criou uma versão mais sofisticada dos antigos bichinhos virtuais, utilizando IA avançada para dar personalidade e memória aos personagens. Se antes já era difícil manter o Tamagotchi vivo, imagine só agora, com ele lembrando de tudo o que você faz (ou deixa de fazer).

Em uma era em que a tecnologia frequentemente é culpada por aumentar o isolamento, empresas como a Slay estão adotando uma abordagem diferente: você não pode criar seu bichinho virtual sozinho. São necessárias duas pessoas para cuidar de cada Pengu juntas, criando uma experiência social que une as conexões digitais e humanas.

E então, será que agora conseguiremos finalmente manter um Tamagotchi vivo por mais de 48 horas? Isso só o futuro nos dirá!


Rapidinhas da Salvação 🙌

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Pensamentos de pensadores
para você pensar.

“Tome cuidado com o vazio de uma vida ocupada demais.” – Sócrates
 


E aí, quem realmente venceu essa rodada: você ou o sistema? Nesta edição do Almanaque do Futuro, mergulhamos nos códigos invisíveis que regem os jogos e, talvez, nossas próprias vidas. Os pixels podem mudar, os gráficos podem evoluir, mas a grande questão continua: estamos jogando ou apenas seguindo um roteiro já escrito? Até a próxima edição, se o jogo permitir!

Nos vemos no futuro! 🔮